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A finalidade da Òdúlogia é levar até as pessoas uma ferramenta que possa ser utilizada em toda a sua plenitude, tanto de forma Terapêutica, como nos trabalhos espirituais.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O caminho de ifá

Para o pensamento iorubá a vida é uma jornada, uma grande aventura. E é aqui na terra o melhor lugar do mundo para se viver. Tanto isso é verdade que quando um ente querido morre, diz-se "Wa ati bo" (Vá e volte logo).

Essa e outras sabedorias sobre o mundo e a vida são parte do conhecimento transmitido oralmente pelos sacerdotes de Ifá, os Babalawo, ou Pais do Segredo. O conhecimento do Babalawo está contido nos poemas, um compêndio de centenas de milhares de histórias míticas que são relembradas e entoadas em forma de cânticos pelos sacerdotes de Ifá.

O cliente ao ouvir determinada passagem que alude ao problema que está vivendo interrompe o sacerdote que passa então a explorar as possíveis maneiras de auxiliá-lo. Isso pode ser feito por meio de oferendas rituais ou através do uso de plantas medicinais para ingestão na forma de chás ou de poções ou ainda em banhos ou sachês. O Babalawo pode também sugerir mudanças de comportamento do indivíduo.

Para tornar-se um sacerdote de Ifá, um Babalawo, é necessário um aprendizado iniciático que tem início na infância -- ao redor dos 4 anos de idade -- e que jamais terá fim. Em geral, o aprendiz estará apto a atender após um mínimo de 16 anos de estudos constantes.

Qual a diferença entre os nomes Orunmilá e Ifá?

Ifá é o nome que Olodumaré, o Deus Criador, deu para Orunmilá enquanto divindade manifestada no mundo.

Ifá é o Oráculo, o sistema divinatório composto de diversos métodos. Os mais conhecidos são o Opele, o Ikin e o Merindilogun ou jogo de búzios. Orunmilá é a divindade e Ifá é o sistema onde esta divindade se manifesta. Não há Ifá sem Orunmilá e nem Orunmilá sem Ifá. Estes dois conceitos são tão intimamente relacionados que muitas vezes referimo-nos a Orunmilá como Ifá.

E quem é Orunmilá? Orunmilá é a divindade da sabedoria e do conhecimento, responsável pela transmissão das orientações dos deuses e de nossos ancestrais, de maneira a permitir a cada um de nós a possibilidade de uma escolha acertada para uma vida feliz.

Orunmilá, a Testemunha do Destino e da Criação. O segundo após Olodumaré. Aquele que estava presente, ao lado de Deus, quando a Vida, o Mundo, o Homem foi criado. Orunmilá tudo vê, tudo sabe, tudo conhece. Não há nada que tenha sido criado ou que virá a ser criado que Orunmilá não saiba antes. Orunmilá conhece a vida e conhece a morte, ele conhece a existência: o antes e o depois. Por isso ele pode ajudar.

Guia, profeta, professor, divindade, Orunmilá/Ifá deve ser compreendido como um sistema: é o homem e sua ferramenta. Por vezes o homem é a sua própria ferramenta. Orunmilá é tanto humano quanto espírito. Enviado por Olodumaré para ir a diferentes lugares sempre que há necessidade para ajudar os homens a enfrentarem seus problemas, contornando obstáculos e desenvolvendo o seu bom caráter. Podemos também imaginar Orunmilá como o espírito de Olodumaré manifestado no homem.

Alguns dizem que a palavra Orunmilá deriva de Oro-Omo-Ela ou Oro palavra/espírito, Omo= filho, Ela = Deus. Após a Criação, Orunmilá veio à Terra como a divindade encarregada por Olodumaré para ensinar os homens. Esta mensagem é Ifá, a luz, o conhecimento e a orientação da sabedoria ancestral de toda a humanidade.

Como orunmila alimentou os primeiros seres humanos

Olodumaré, o deus criador, olhou Ilu Aiye, o planeta Terra, e viu apenas a terra, a água, os montes e vales. Era um local vazio, e ele chamou Orunmilá, também chamado Ibikeji Olodumaré, a segunda pessoa após Olodumaré. Disse a ele: Prepare seus instrumentos de adivinhação, consulte o oráculo Ifá. Quero que a Terra seja povoada de homens e mulheres, que terão muitos filhos. Orunmilá consultou os ikin e falou que os homens precisariam comer para sobreviver na Terra. Olodumaré disse: "Beeni" (muito bem), e mandou que Orunmilá perguntasse aos Orixá quem saberia o que seria dado aos homens. Exu disse que ele sabia qual a comida que os homens comiam. Os primeiros seres humanos chegaram a Ilu Aiye e Exu deu a eles madeira para comer. Em uma semana estavam todos de volta ao Orun. Quando Olodumaré viu os homens de volta, disse: Mas já voltaram tão cedo? O que aconteceu? Os homens responderam que Exu dera a eles madeira para comer, que suas barrigas tinham furado, e todos eles tinham morrido. Olodumaré disse: "Beeni". Chamou novamente Orunmilá e disse a ele que perguntasse aos Orixá quem saberia o que se dava de comer aos homens. Obatalá, rei das roupas brancas, e Yemoja, rainha das águas rasas do mar, disseram que eles iriam cuidar disso. Homens e mulheres voltaram à Terra , e Obatalá e Yemoja deram a eles água pura e fresca para beber. Em uma semana estavam todos de volta ao Orun. Quando Olodumaré viu os homens novamente ali, perguntou: Mas já voltaram tão cedo? O que aconteceu desta vez?
Os homens responderam que Obatalá e Yemoja deram a eles muita água fresca para beber. Seus corpos derreteram e eles voltaram ao Orun. Olodumaré disse: "Beeni". Chamou Orunmilá e disse a ele que consultasse novamente o oráculo Ifá, que desta vez os homens só viriam morar no Ilu Aiye quando houvesse certeza de que haveria para eles comida com fartura, para que só voltassem ao Orun na hora certa, depois de uma vida longa e proveitosa, plena de realização e alegria, deixando em Ilu Aiye filhos e netos.
Orunmilá respondeu a Olodumaré que havia no Orun um ser estranho, chamado Osanyin, que poderia resolver o problema. Osanyin foi chamado, e prontamente jogou para Ilu Aiye muitas cabaças cheias de sementes de grãos, de frutas, de favas, de todo o tipo de vegetação que hoje cobre o mundo. Jogou primeiro plantas de crescimento rápido, como "ewa", o feijão, "agbado", o milho, "ewe tete", o caruru, "yanrin", a verdura, para que os homens tivessem o que comer logo que chegassem à Terra. E nesse atirar de sementes, também Osanyin caiu na Terra, e lá brotou e ficou morando, um ser estranho como um tronco, um pé de pau, sem pai nem mãe, um ser da Terra, folha e tronco ele também.
Os homens vieram então em definitivo, e se alimentaram das comidas nascidas das sementes do Orun. Comeram o que os Orixá comem, compartilharam seu cardápio e seus gostos, muita pimenta, muito inhame, muito milho, frutas e verduras, cebolas e tomates. E beberam muita água fresca, emu (vinho de palma) e shekete (cerveja de milho). .
Olodumaré ficou feliz e disse aos Orixá: Os homens morarão em Ilu Aiye, e nos adorarão. Terão muitos filhos e sua descendência povoará a Terra. Também para lá enviaremos animais, que os seres humanos sacrificarão para nós, durante os Ebo Etutu. A carne destes animais será cozida em uma boa sopa bem apimentada, que os homens nos oferecerão com muito ebá e iyan, e juntos compartilharemos este alimento pleno de Axé. E em alguns anos as árvores de obi darão frutos e comeremos juntos o obi semanal.
E, em terra Yorubá, os pais contam aos filhos este Itan Ifá, e dizem a eles que quando um homem acorda (chega ao Ilu Aiye), primeiro ele pega um pedaço de madeira e esfrega nos dentes (madeira especial chamada Pako, com propriedades anti-inflamatórias e antisépticas, que substitui a escova de dentes), depois enxágua a boca com muita água fresca. Só então é que vai se alimentar, sempre chamando os Orixá para compartilhar sua comida, com a frase:

"WA BA WA JEUN, OLUWA"
(venha comer conosco, Deus).
AXÉ, AXÉ, AXÉ!

Olá queridos amigos(as).
Que sejamos como sol que não visa nenhuma recompensa, nenhum elogio não espera lucros e nem fama simplesmente BRILHA!!!
Equipe Marcelo Alban.

Simpatia para União Homem com Homem/Mulher com Mulher

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

VOCÊ JÁ OUVIU FALAR EM ÈLA?

O que é: o princípio da ordem; aquele que mantém o mundo acertado e em ordem. ÈLA veio para a terra no ODU de OBARA OYEKU. Tentaremos neste trabalho passar para todos o significado deste princípio primordial que se chama ÈLA e que, sem ele, nosso mundo seria um caos total. Vamos ver por que.

A tradição oral nos passa que ÈLA é um princípio espiritual que não teve espaço para se tornar conhecido, pois foi dominado historicamente pelo aumento do número de divindades e senhores da cultura Yoruba. Em função disso ÈLA não foi definido.

Na tradição oral existem muitos que dizem que ele "é um dos muitos nomes atribuídos à IFA (ORUNMILA), e é descrito como o principal entre eles " ou que " é o seu empregado de confiança". Essas afirmações tem um fundo de verdade e nós vamos ver porque.

Existe uma forte ligação entre ÈLA e ORUNMILA, pois se ÈLA é o princípio da ordem, da retificação de destinos infelizes, ORUNMILA precisa deste princípio para cumprir o seu papel de grande preservador da felicidade e retificador de destinos infelizes, uma vez que podemos dizer que ordem significa felicidade, harmonia, paz e desenvolvimento. ÈLA é chamado de "aquele que mantém o mundo acertado". Assim, podemos até fazer uma reflexão no sentido de que ÈLA é um princípio primordial onde ORUNMILA tem a sua origem. Podemos afirmar, portanto, de forma inquestionável, que ÈLA é uma emanação direta de OLODUNMARE.

ÈLA é chamado pela tradição oral de ÈLA OMO OSIN - " ÈLA é o preferido de OSIN" - o que é OSIN ? Para o Yoruba, OSIN É O LÍDER DOS LÍDERES, ou seja, OLODUNMARE.

Vamos à criação. De acordo com a tradição, ORUNMILA desceu à terra para colaborar com ORISA-NLA nos afazeres de organizar a terra e colocar todas as coisa nos seus devidos lugares (ordem), logo, ÈLA seguramente estava presente. Para ilustrar esse papel, vamos transcrever uma história do ODU ODI IWORI;

ÈLA Iwòri ni kì jéki aiyé ra 'jú; Nigbati aiyé Oba-'lufe darú, ÈLA Iwòrì l' o bá a tún aiyé rè se; Nigbàti awon o-dà-'lè ìlú Akilà ba aiyé ìlu won jé, ÈLA Iwòri l' o ba won tún u se; Nigbati òsán d' òrun ni ilù Okèrèkèsè, Ti aiyé ìlú nã di rúdurùdu Ti awon awo ibè bà a tì, ÈLA Iwòri l' o ba Olúyori Oba ibè tún u se; Nigbàti élègbára bá nfé s' ori aiyé k' odò, ÈLA Iwòri ni' ma dùdú ònà rè; ÈLA Iwori kì' gb' owó, ÈLA Iwòri ki' gb' obi, On l' ó sì ntún ori ti kò sunwòn se.

ÈLA IWORI é quem salva o mundo da ruína. Quando o mundo de OBA LUFE tornou-se confuso ÈLA IWORI é aquele que restaurou a ordem Quando os depredadores de AKILA deterioram a cidade ÈLA IWORI é aquele que acertou as coisas para o povo, Quando o dia virou noite na cidade de OKEREKESE (Egito) E os sábios do lugar foram desviados. ÈLA IWORI foi aquele que trouxe a ajuda de OLUYORI, seu rei, como remédio, Quando ELEGBARA planejou virar o mundo de cabeça para baixo, ÈLA IWORI foi quem o obstruiu, ÈLA IWORI não recebe dinheiro, ÈLA IWORI não recebe OBI Ainda é ele quem retifica destinos infelizes.

Se nós aceitarmos que ÈLA é um princípio primordial, que estava presente no início da criação, estando no mundo e preenchendo-o de bons trabalhos, estabelecendo a ordem e colocando as coisas em seus devidos lugares, poderemos dizer que em um determinado momento o homem de alguma forma acordou de seu estado de "letargia" em um mundo perfeito e sem atropelos e neste momento se rebelou contra ÈLA, creditando à ele a responsabilidade de ter retardado o crescimento do mundo e então o difamaram. Em função disso, conta a tradição que ÈLA se ofendeu e ascendeu aos céus através de um corda esticada. Foi somente assim que os habitantes do mundo perceberam que era realmente impossível viver sem ÈLA e assim, desde então, se tem rezado por suas bênçãos.

Vamos a outro verso: ÈLA s' ogbó, s' ogbó ÈLA s' ató, s' ató O f' òdúndún s' Oba ewé O f' Irosùn s' o sòrun rè; O f' Okun s' Oba omi O f' osa s' osòrun rè; A-s' - èhin-wa a- s'-èhin-bò Nwon ni ÈLA kò s' aiyé re; ÈLA b' inu, o ta' kùn, o r' òrun; Omo ar'-aiyé tún wá nkigbe: ÈLA dèdèrè I' ó mã sòkalè wa gb' ùre. ÈLA dèdèrè

ÈLA realmente fez a velhice ÈLA realmente fez a vida longa Ele fez de ODUNDUN o rei das folhas Ele fez de IROSSUN o seu sacerdote. Ele fez do oceano o rei das águas. Depois de tudo, e ao final, Eles pronunciaram que ÈLA havia conduzido o mundo pelo caminho certo. ÈLA se ofendeu, ele estendeu uma corda e subiu ao céu. Os habitantes do mundo mudaram de opinião e passaram a chamá-lo. ÈLA, volte a nos abençoar ÈLA, volte!.

Nessa linha ÈLA é referenciado como um libertador. Neste papel aparece a sua ligação com ESU. É sabido que ESU é a dinâmica de todas as coisas, instaura a desorganização geradora de uma nova ordem, num processo contínuo de desenvolvimento do mundo, a dinâmica que faz o mundo andar. Se considerarmos que ÈLA é o princípio da ordem e ESU provoca a desordem e se em algum momento imaginássemos que a desordem provocada por ESU levasse ao caos, somente a interferência de ÈLA como princípio poderia garantir uma nova ordem. Desse modo, podemos dizer que ÈLA trabalha juntamente com ESU, especificamente na tarefa de restabelecimento do equilíbrio.

ÈLA como princípio é de suma importância na vida dos sacerdotes em nossa religião, pois o papel dos sacerdotes é manter e/ou instaurar a ordem. Portanto como isso poderia ser feito sem a interferência de ÈLA?

Vamos à uma outra consideração: Realizar ÈLA significa carregar ISI. O que vem a ser isso. Vamos contar duas histórias para depois tentarmos concluir essa afirmação.

Existia uma localidade onde os reis não duravam mais de três anos e então eram substituídos - o próximo morreria antes de três anos e assim sucessivamente. A família de onde esses reis eram oriundos era muito rica e o poder era algo extremamente cobiçado, mas o fato da morte prematura era um empecilho para que eles quisessem se tornar reis. Foram consultar ORUNMILA e no jogo apareceu o ODU OGUNDA OFU, significando que todos os reis tem um ORISA ao qual devem saber cultuar antes que lhes seja entregue o OPA.

Uma outra história trata de um Rei que num determinado tempo teve suas esposas (6), seus filhos e servos (7) contra ele; suas esposas não queriam mais se relacionar com ele; seus filhos voltaram as costas para ele, bem como seus servos. O rei revoltou-se e, munido de seu Opa e de uma espada, saiu à procura deles, que haviam fugido. O rei então falou que eles deveriam carregar ISI, sem o que não seriam perdoados. Os filhos então pegaram 4 inhames e ofereceram para o Rei (que era o próprio ORUNMILA). Prepararam o inhame e o levaram para o Rei, carregando-o na cabeça. O rei então disse que precisaria matar um deles; os filhos responderam que eles haviam feito o que ele havia pedido. O rei perguntou se era ISI macho ou fêmea. Eles responderam que era ISI feminino. Ele ouviu e não soltou o Opa e a espada. Eles pediram três vezes que ele os soltasse. O rei então respondeu:

"Onde vocês ouviram que esposas, servos e filhos não fizessem o que o Rei quer ?"

"Assim, antes que eu largue o Opa e a espada, vocês tem que prometer carregar ISI sempre. Só assim eu os perdôo."

ISI significa carrego de submissão e homenagem. Ou seja, curvar-se diante do sagrado, do superior, do maior. Para se falar em ordem temos que falar em respeito e homenagem, em submissão à um princípio maior que nos proporcionará a felicidade. Aprender que antes de tudo devemos agradecer, louvar e cultuar.

ÈLA, por fim, é sempre invocado durante os cultos para que venha e abençoe os oferecimentos, tornando-os aceitáveis. ÈLA também é denominado como o princípio que inspira a aceitação de alguns sacrifícios; que inspira o culto correto e é por ele que a vida tem sido oferecida.

Para finalizar vamos transcrever uma cantiga de ESU:
ESÙ fi ire bò wá o. ÈLA fi ire bò wà yà yà. ESÙ gbè ire ajè kò wá o. ÈLA fi ire bò wà yà yà. IYA-MÒGÚN fi ire bò wà o. ÈLA fi ire bò wá yà yà.

ESU, faça nossas vidas plenas de coisas boas. ÈLA, ponha muita sorte em nossas vidas. ESU, ponha sorte e progresso em nossas vidas. ÈLA, ponha muita sorte em nossas vidas. IYA MOGUN, faça nossas



Por: LEILA CRISTINA ALBAMONTE POMPEO FERRARA – EFURO LOGUNLOWO

Èlá Conserta o Mundo: Èlá é o principal òrìsà no culto de Òrúnmìlà

A história conta que Èlá tem uma relação de muita afinidade com Ifá, por isso em Yorùbá é considerado Àgbonnirégún - filho de Ifá. Mas para alguns é considerado mensageiro de Òrúnmìlà e para outros é apenas seu amigo.

Mas independente da história apresentada, Èlá é considerado o principal òrìsà no culto de Òrúnmìlà, e se forem observados a característica e o culto dos dois descobre-se que ambos apresentam em suas oferendas Ikin, e estas são feitas embaixo de uma palmeira.

O ano começa com a festa de Èlá, depois Ifá, sendo que dezesseis dias depois da festa de Èlá homenageia-se Òrúnmìlà sempre lembrando Èlá, mostrando a afinidade entre os dois òrìsà. A única diferença é que para Òrúnmìlà não se usa Ikin, e o dente de elefante para Èlá, mas o local é o mesmo.

Os Yorùbá acreditam que Èlá veio ao mundo para consertá-lo, por isso é chamado alátunse ile-aye, e dentro da história aparecem como sócios.

Se foi assim, então, Òrúnmìlà traz dentro de si Èlá, que é chamado de Osin - rei ou líder -, Èlá também pode ser chamado de filho de Olódùmarè e até hoje os Yorùbá espetam elé para dizer que ela nunca fica murcha comparada com outra folha.

Afirmam isto porque existe uma ligação entre esta folha e Èlá e sua energia são tão forte que algumas pessoas a plantam encima da casa. Acreditam que desta forma vão protegê-la.

Como ser humano Èlá é paciente, levando paz e transformando os problemas em coisas boas. Èlá é um òrìsà que conserta o ori-cabeça. Sempre entra em guerra com Èsú quando este quer usar sua força negativa, acalmando-o.

Èlá tem grande força para levar a tranquilidade a uma cidade, além de muita energia positiva ajudando o homem sem pedir nada em troca.

Classificação do jogo de búzios

1 búzio: Okanran10 búzios : Ofun
  
2 búzios: Eji Oko11 búzios: Owonrin
  
3 búzios: Ogunda12 búzios: Ejila Sebora
  
4 búzios: Irosun13 búzios: Ika
  
5 búzios: Ose14 búzios: Oturupon
  
6 búzios: Obara15 búzios: Ofun Kanran
  
7 búzios: Odi16 búzios: Irete
  
8 búzios: Eji Ogbe0 búzio: Opira
  
9 búzios: Osa 

É temerário, no entanto, usar-se tal relação como base de um jogo de mérindinlogun levando-se em conta, principalmente, que outras relações são apresentadas na mesma obra com diferentes nomenclaturas dentre as quais, inúmeras referentes aos Omó Odus e sem nada a ver com os 16 do jogo de búzios.

Dentre as mais notáveis destaquei:

Com 1 búzio aberto: Okanran, Okana Sode, Okana Sordo, Okan Chocho (Seria okan soso: um sozinho?), Okanrandi (Omo Odu resultante da interação de Okanran om Odi), etc.

Com 2 búzios abertos: Ejioko, Eji Oko, Eji Onko, Jonko, Ellioco, Eyi Oko, Ebioko, etc...

Com 3 búzios abertos: Etaogunda, Gunda, Ogbe Yonu (Omo Odu resultante da interação de Ogbe e Ogunda), Ogunda wom’Osa, Eji Oguda, Orgunda, etc...

Com 4 búzios abertos: Irosun, Ogbe’rosun (Omo Odu – Ogbe + Irosun), Eji’rosun, Eji Orosun, Ojo Orosun, Elliolosun, Elliorosun, Irozo, etc...

Com 5 búzios abertos: Ose, Ogbese (Omo Odu resultante da interação de Ogbe e Ose), Ogbe Segun, Oxe, Ce, etc...

Com 6 búzios abertos: Obara, Obara, Obara b’Ogbe (Omo Odu resultante da interação de Obara e Ogbe), Abla, Olbara, Osvara, Ovara, etc...

Com 7 búzios abertos: Odi, Edi Meji, Di, Oldi, Ordi, Ordy, etc...

Com 8 búzios abertos: Ejionile, Ejiogbe, Ogbe Meji, Eji Ogbe, Jyogbe, Ejionle, Olleonle, Elleunle, Eyeunle, Ojo Onde, Elliombe, Eyi Onde, etc...

Com 9 búzios abertos: Osa, Osa, Osa wori (Omo Odu resultante da interação de Osa e Iwori), Asa, Osain, Ossa, Osan, Otura (nome do décimo terceiro Odu Agba na ordem de chegada de Ifá), Ora, etc...

Com 10 búzios abertos: Ofun, Ofun na, Ofun Mewa, Fu, Ofunmofun, Ofui, Ofunfufn, Ofun Mafun, Ofu, Efun, etc...

Com 11 búzios abertos: Owonrin, Owóri s’Ogbe (Omo Odu resultante da interação de Owónrin e Ogbe), Ojuani, Oguani, Owani, Oguorin Neyi, Oguani Sogue, Owhani, Wele, Owanrin, Owarin, Ogbani, etc...

Com 12 búzios abertos: Ejila Sebora, Ejila, Ejilewa Ise Ebura, Ejila Chevora, ejjila Chebara, Elliba, Olli la sebora, etc...

Com 13 búzios abertos: Eji Ologbon, Metala, Agba Metala,Ika (nome do décimo Odu na ordem de chegada de Ifá e décimo quarto na ordem de merindinlogun), Odu Pariwo, Metanla, Baba Gudu Ede, Iwori (nome do terceiro Odu na ordem de chegada de Ifá), Oloso-lolo, etc...

Com 14 búzios abertos: Ika, Oturupon(nome do décimo terceiro Odu Agba na ordem de chegada de Ifá), Agba Merinla, Oyeku (nome do segundo Odu Agba na ordem de chegada de Ifá), Osanlu Ogbenjo, Idegbe, Okansode (um dos nomes de Okanran, primeiro na ordem de merindinlogun e iitavo na ordem de chegada de Ifá), etc...

Com 15 búzios abertos: Obegunda, Ofun Kanran (Omo Odu resultante da interação de Ofun e Okanran), Igara, Olo-Oba Egbo, Marunla, Manula, Metanla, Manola, etc...

Com 16 búzios abertos: Aláfia, Irete (décimo quarto na ordem de chegada de Ifá), Adakete , Merindinlogun, Medilogun, etc...

Todos os búzios fechados: Opira – Não é um Odu.

A ordem corretamente usada no Brasil, de acordo com a herança cultural-religiosa deixada por nossos ancestrais é:
1 - Okanran10 – Ofun
  
2 – Ejioko11 – Owonrin ou Uárin
  
3 – Eta Ogunda12 – Ejilaxebora
  
4 – Irosun13 – Ejiolobom
  
5 – Oxe14 – Iká
  
6 - Obara15 - Obegunda
  
7 – Odi16 - Aláfia
  
8 - Ejionile 
  
9 – Osa